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Partido Pelos Animais tenta formalização

Dezembro 6, 2009

A semana passada ficou marcada pela apresentação de um novo partido, de uma nova força politica pela defesa da Natureza, do meio ambiente e dos animais. Um grupo de cidadãos entregou no Tribunal Constitucional mais de 9500 assinaturas para a criação do Partido Pelos Animais (PPA), que pretende ser a primeira organização partidária “por uma causa”. O Partido pretende combater o abandono, procriação sem regras, canis de abate e a violência. A Comissão Coordenadora do Partido tem vindo a salientar que esta iniciativa se trata de “um marco histórico”. O seu objectivo é ser uma força activa de intervenção, informação, sensibilização, consciencialização e mobilização dos portugueses na temática animal e não só.

A ideia surgiu da constatação de que a defesa dos direitos dos animais tem de passar por uma intervenção jurídica e política que terá mais força e visibilidade se for levada a cabo por um Partido com representação na Assembleia da República e que dê voz às aspirações das associações animalistas e ambientalistas.

O Partido salienta que há a fazer para acabar com os autênticos campos de concentração para animais da pecuária intensiva, bem como o modo como são transportados, a desnecessária experimentação científica de que são vítimas, as condições miseráveis em que se encontram em muitos canis municipais.

Com a formalização da candidatura junto do Tribunal Constitucional, terá início a vida do PPA enquanto partido político. A primeira grande batalha é a alteração da legislação fundamental que assegure o fundamento jurídico de uma mudança estrutural no que toca aos animais no nosso país.

Agora o Retrospectiva pergunta… Como é que os portugueses estão a reagir à ideia?
Com interesse ou indiferença? É verdade que há figuras públicas a apoiar o projecto. E só isto já constitui um incentivo para sensibilizar os portugueses. Para não falar de que o PPA também já marca presença numa das principais redes sociais, o Facebook. Mas será que o projecto vai vingar?

Declaração do grupo do partido pelos animais

 

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Propinas no ensino superior

Novembro 30, 2009

O parlamento irá discutir um projecto-lei acerca do financiamento do ensino superior. Esta iniciativa nasce do PCP, que como é sabido defende o fim do pagamento das propinas. Já não era sem tempo!…. O respectivo diploma foi apresentado no dia 27 de Novembro pelos deputados do partido comunista numa conferência de imprensa: o principal objectivo é por fim ao “garrote financeiro” imposto pelo Estado às instituições universitárias.
Jorge Pires, pertencente à Comissão Política do Comité Central do PCP, assegura que existem universidades que “têm dificuldade em manter o papel higiénico” e onde “não se faz praticamente investigação porque não há dinheiro”. Já o deputado Miguel Tiago referiu aos jornalistas que “O pretexto da falta de orçamento é desligado da realidade. O que se trata é de uma opção política para fazer com que as instituições de ensino superior se convertam em centros comerciais do conhecimento”.
Vamos por partes, sim toda a gente sabe que as universidades portuguesas estão a atravessar actualmente graves dificuldades financeiras. Para o comprovar Miguel Tiago afirma ainda que o orçamento que o estado disponibilizou no ano passado supria apenas 70 por cento do orçamento de funcionamento, ou seja o mínimo.
O PCP acrescenta que Portugal é o país onde o orçamento familiar mais depende para o ensino superior” e as propinas “representam 14 por cento do orçamento individual do estudante, a fatia mais elevada no espaço europeu”.
As Universidades encontram-se sem dinheiro e sem qualquer tipo de apoio, em vez do estado, quem anda a financiar as instituições universitárias são os estudantes que têm de pagar e bem se quiserem tirar o seu curso. A vida de estudante não é nada, mas mesmo nada fácil, o retrospectiva que o afirme. Um estudante que pertença à classe média e que entre para a universidade vê-se e deseja-se para pagar todas as despesas a tempo, um pobre que pertença à classe média baixa só conseguirá frequentar a universidade se fizer um empréstimo bancário. Para além das propinas as despesas de um universitário consistem em pagar a renda do seu quarto, renda essa que ultrapassa os 100 euros mensais para se ter pelo menos um quarto com as condições mínimas requeridas, material escolar, mais bibliografia exigida pelos professores, fotocópias, alimentação e despesas pessoais mínimas que se têm de fazer todos os dias. Quantas vezes não acontece chegar-se ao final da semana sem uma única nota na carteira? Enfim, vai-se para a faculdade e o que é que se vê? Muitas das vezes instalações que se encontram a cair aos bocados e nada é feito porque não há dinheiro, atribuições de bolsas em atraso (e só com alguma mestria se consegue um bom valor), projectos inovadores de investigação que ficam para trás, enfim… a impossibilidade de se proporcionar a melhor formação aos seus alunos que pagam 900 euros de propinas. Assim anda o nosso ensino superior, se uma isenção total de propinas é de facto pouco viável deveria-se pensar em pelo menos tornar este fardo menos pesado para os estudantes. Quanto às universidades, sim deveriam receber mais apoios por parte do estado porque esta situação é já insustentável, quem paga são sempre os estudantes e são sempre os que saem a perder com esta situação. Já não era sem tempo, ainda bem que este assunto irá ser debatido no parlamento.

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Governo e imprensa nacional de costas voltadas

Novembro 22, 2009

 

Mais uma vez assistimos a tristes querelas entre o Primeiro-ministro José Sócrates e os órgãos de comunicação social portugueses.
Este é um assunto muito caro ao Retrospectiva, pois nos bastidores deste blog relembramos que se encontram duas alunas de Ciências da Comunicação.
Segundo um artigo do jornal Público, o PSD pediu já a intervenção da ERC “para se esclarecer o que se passa entre o gabinete do primeiro-ministro e alguns órgãos de comunicação social.” Na base deste pedido encontra-se uma declaração de José António Saraiva, director do Semanário Sol, que denuncia uma tentativa de intromissão editorial do semanário por parte de alguém próximo do Primeiro-ministro.

Mas há mais, na revista Sábado, o director alega ainda que essa mesma pessoa afirmou que “os problemas [financeiros] ficariam resolvidos” se não fosse publicada a segunda notícia sobre o caso Freeport”.
Segundo o mesmo artigo do Jornal Público, na base de toda esta celeuma encontra-se um artigo que classifica como perdedores de investimento publicitário, institutos e empresas públicas, jornais como o Público, O Sol, e o Independente, por publicarem escândalos que envolvem o bom-nome do Primeiro-ministro.
Como era de esperar a oposição já se insurgiu sobre este caso: do lado do PSD Luís Campos Ferreira, classifica esta situação como “um dos mais graves atentados à liberdade de imprensa” exigindo que a entidade reguladora para a comunicação social desmistifique “em tempo útil, de forma cabal e eficaz, o que se passa entre alguns meios de comunicação e o gabinete do primeiro-ministro”. Pedro Mota Soares, líder parlamentar do CDS-PP, vai mais longe e quer o comparecimento de Azeredo Lopes, presidente da ERC, no parlamento para se ficar a saber de uma vez por todas se “vai abrir um processo ao que se passou na suposta intromissão editorial no Sol, tal como aconteceu na TVI” acrescentando que é imperativo que se esclareçam as notícias que afirmam que “o Governo e empresas públicas colocam publicidade de acordo com critérios políticos e não com o critério das audiências”.

Era bom realmente que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, regulasse de facto, de forma coerente e justa todas estas situações. As disputas e confusões existentes entre a comunicação social e o Governo perduram e parece que continuarão ao longo deste novo mandato. Começando pelo caso Freeport, passando pelas escutas ao Presidente da República, culminando agora no caso Face Oculta, parece que a verdadeira cruz de José Sócrates é mesmo a imprensa. A confusão é tal que os Portugueses já não sabem o que pensar: entre segredinhos, conspirações secretas e meias verdades o que é certo é que estes casos nunca chegam a ver uma luz esclarecedora ao fim do túnel, sem se saber quem tem ou não razão. A ERC deveria sim apurar a verdade por detrás destes casos, descobrindo finalmente o que se passa. Infelizmente a nossa imprensa nacional tem passado por momentos difíceis em que a sua credibilidade e ética de trabalho foi posta várias vezes em causa. Tal não pode continuar a acontecer, porque assim corremos o risco dos portugueses deixarem de valorizar e credibilizar o trabalho dos jornais nacionais. Esta semana o Retrospectiva deixa dois apelos importantíssimos. O primeiro vai para a ERC: POR FAVOR, zele pela nossa imprensa e não a deixe cair em descrédito. Agora para o nosso Primeiro-ministro: começou há pouco um mandato novinho em folha, faça o favor de não o começar já a estragar, já agora livre-se da tentação de se meter em mais casos e faces ocultas. O Bom-nome da nação agradece!

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Futebol: paixão proibida

Novembro 17, 2009

Desde 1884, quando a primeira bola chegou a Portugal, que todos, desde os mais jovens aos mais velhos, querem experimentar a sensação de dar um pontapé numa bola. E foi assim que começaram a surgir grupos e mais tarde clubes. O primeiro foi o Club Lisbonense, que teve origem no Colégio Lisbonense mais conhecido por Vilar e que terá sido fundado no Inverno de 1889.
Portugal é um país com paixão pelo futebol. Ninguém o pode negar. O Euro 2004 ficará para sempre na memória de todos pelo entusiasmo com que o povo português viveu a competição. Mas se nas boas alturas nós estamos lá para apoiar, nas más alturas isso já não se verifica. Basta um deslize para passarmos de bestial a besta.
Paulo Bento apresentou na semana passada a demissão do cargo de treinador da equipa de futebol do Sporting, na sequência dos maus resultados. Após nove jornadas na Liga Portuguesa de Futebol, o Sporting ocupa o sétimo lugar da Liga, com 13 pontos, menos 12 do que o líder, o Sporting de Braga.
Mas não foi só o treinador… Em poucas horas o Sporting perdeu três elementos chave na estrutura do futebol, o que poderá agravar a situação do clube desportiva e financeiramente: Paulo Bento (treinador do Sporting), Miguel Ribeiro Telles (vice-presidente da SAD leonina) e Pedro Barbosa (director desportivo do clube).
Esta demissão de Paulo Bento surge depois de quatro anos à frente do Sporting, no qual conquistou quatro segundos lugares no campeonato, duas Taças de Portugal (frente a Belenenses e Porto) e duas Super Taças (também com o Porto). Além disso, Paulo Bento tinha recentemente prolongado o seu vínculo ao Sporting até 2011 quando José Eduardo Bettencourt foi eleito presidente.
Mas esta temporada as coisas não estavam a correr tão bem, sobretudo a partir da quinta jornada, com quatro jogos consecutivos sem ganhar. Os adeptos começaram a ficar impacientes e após o empate frente ao Marítimo (1-1) em casa, a contestação ganhou contornos “violentos”.
No passado Domingo, Carlos Carvalhal foi apresentado como o novo técnico do Sporting. O treinador assinou um contrato válido até ao final da temporada, sendo que o clube ficará com a opção de prolongar esta ligação até à época 2010/11.
Vamos ver agora como correm as coisas a Carlos Carvalhal que terá pela frente o maior desafio da carreira…

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Face não tão oculta como se pensava

Novembro 8, 2009

justicaCasos é o que não falta no nosso panorama político. Pelo menos, Portugal é um país rico em alguma coisa. Agora é o caso Face Oculta. O caso é relativo a alegados crimes económicos, que envolvem empresários e gestores de empresas privadas e estatais portuguesas, como o vice-presidente do Banco Comercial Português, Armando Vara, e o presidente da Rede Eléctrica Nacional, José Penedos.
O Procurador-geral da República confirmou que vai tornar público o caso Face Oculta logo que isso seja possível e que está a investigar as transcrições das conversas entre José Sócrates e Armando Vara. O Ministério Público constituiu 14 arguidos, mas só o empresário José Manuel Godinho está em prisão preventiva.

Polémica também não falta, como já nos têm vindo a habituar os nossos políticos. No final da primeira parte do debate do Programa do Governo, no Parlamento, José Pedro Aguiar Branco foi questionado pelos jornalistas sobre a intervenção do deputado social-democrata Pacheco Pereira. O PSD nega explorar este caso em seu favor. Segundo Aguiar Branco, “Pacheco Pereira coloca a questão no combate à corrupção, não individualiza, não perguntou quais as medidas a tomar em relação ao caso concreto” do processo Face Oculta.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que as proporções do caso Face Oculta para o Governo poderão ser maiores do que o processo Freeport. «Um, caso que abrange várias empresas do sector público não é um caso pessoal. É um caso a comprovar-se, objectivo e que é sempre muito mau para o Governo que está em funções que é responsável por aquele sector», explicou este comentador.

Já para Medina Carreira, ex-ministro das Finanças, este é mais um caso onde não se verão condenados. «Os órgãos de comunicação social estão a fazer um grande alarido disto, mas este caso não vai levar a nada. Já viu algum caso que acabasse com alguém preso?», afirmou Medina Carreira aquando da apresentação do seu livro «Portugal: que futuro», em Lisboa. De facto, ninguém pode negar que, o sistema judicial português é muito demorado.

E a verdade é que o DIAP adiou o interrogatório dos funcionários de Manuel Godinho para 23 de Novembro.

Bom… Será que estamos perante mais uma novela sem fim?! Isto está a tornar-se puro entretenimento. O  aconselha a que não percam os próximos episódios porque nós vamos estar atentos.

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Logótipo da candidatura ibérica ao mundial 2018/2022

Novembro 1, 2009

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O logótipo da candidatura ibérica à organização do mundial de 2018/2022 foi oficialmente apresentado nesta quinta feira, dia 29, em Lisboa. A cerimónia decorreu, claro está, na sede da Federação Portuguesa de Futebol.
A empresa responsável pela criação do referido logótipo foi a Euro RSCG Design & Arquitectura, que conseguiu superar as várias propostas por parte de empresas espanholas: relembramos que esta mesma empresa concebeu igualmente o logótipo do Euro 2004, e da imagem da final da Taça UEFA 2005 (em Alvalade), 2006 (Eindhoven) e 2007 (Glasgow).

Mas o que dizer acerca deste logótipo?
Eugénio Chorão, director-geral da Euro RSCG Design&Arquitectura, explicou na respectiva cerimónia que o principal objectivo é «exprimir a vontade ganhadora de duas nações que se unem para conseguir um objectivo comum». Este logótipo tem como inspiração uma obra do artista português José Guimarães e também de Miró, o que acabou por resultar numa perfeita união entre a alma lusa e espanhola: segundo Madaíl, o factor chave para a sua escolha.
Tal como podemos ver a imagem provém da “união entre as duas bandeiras, expressas em traços fluídos e fortemente plásticos. É um símbolo comum, uma bola, em redor da qual estamos todos unidos”, explica Eugénio Chorão à revista Meios e Publicidade. Aproveita também para referir que o logotipo representa “A mesma paixão pelo futebol e o mesmo desejo de o receber em festa”.
Uma mistura entre o vermelho, o verde e o amarelo, uma sobreposição entre as bandeiras de Portugal e Espanha, que realça a fusão entre os dois países: é este o logotipo que nos irá representar se ganharmos a candidatura. Há que agora “trabalhar, trabalhar, trabalhar”, relembra Madaíl na cerimónia da apresentação, para assim conseguir alcançar os nossos objectivos.

O Retrospectiva quer agora saber o que pensa: gosta deste novo logótipo?
Utilize os comentários para responder!

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O dilúvio de Saramago II

Outubro 25, 2009

Com tudo o que se tem dito acerca das palavras de Saramago sobre a Bíblia, o Retrospectiva achou conveniente continuar a dar atenção a este assunto. Uma vez que o que está em causa são os textos sagrados que têm acompanhado a Igreja desde sempre, fizemos uma pesquisa e encontrámos duas obras que nos podem ajudar a compreender esses textos. São eles, o Catecismo da Igreja Católica e o Directório Geral da Catequese. São dois instrumentos distintos, mas complementares, ao serviço da acção catequética.

A finalidade do Catecismo da Igreja Católica é apresentar “uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais e fundamentais da doutrina católica, tanto sobre a fé como sobre a moral” (Catecismo da Igreja Católica; 1997:19). Isto é, apresenta-nos explicações para os sacramentos, os mandamentos e as orações, e também nos mostra qual é a posição da igreja em relação ao pecado, ao céu e à terra, por exemplo. Saramago nas suas declarações falou do Inferno. Bom, se consultarmos o Catecismo da Igreja Católica podemos ver que Inferno é “morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus (…), é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados” (Catecismo da Igreja Católica; 1997:270). Ou seja, “a principal pena do Inferno consiste na separação eterna de Deus” (ibidem).

 O Catecismo da Igreja Católica chega mesmo a dizer que “as afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade” (ibidem). A verdade é que, “a igreja sempre se valeu de formulações da fé, que de maneira breve, contêm o essencial daquilo que ela crê e vive: textos neotestamentários, símbolos ou profissões de fé, fórmulas litúrgicas, orações eucarísticas” (Directório Geral da Catequese; 1997:143). Achamos importante inserir estas transcrições porque é também necessário conhecer a posição da Igreja Católica face à Bíblia, pelo menos ficam aqui duas referências bibliográficas para quem quiser aprofundar o assunto.

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